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Por Geraldo Garcia, em 24 de março de 2010
 Cores e mais cores - "Target" para geração de perfil ICC
O problema:
Todos querem uma impressão perfeita de seus trabalhos (fotos, ilustrações, etc.), mas será que isso existe? Será que é um “Santo Graal”, sempre procurado mas nunca alcançado?
Claro que “perfeita” é uma palavrinha miserável, pois o que é perfeito para um uso é inadequado para outros e o mundo é diverso. Mas nós aqui nesse blog somos fotógrafos/ilustradores/artistas e nossos problemas e nossas necessidades são semelhantes. Queremos:
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Alta resolução (definição), para detalhes e texturas sutis.
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Uma gama de cores enorme, com cores profundas e vibrantes.
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Fidelidade das cores com o original.
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Preto e Branco sem desvios de cor e com “cara de P&B”.
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Diversidade de papéis e outros substratos para impressão.
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Possibilidade de imprimir em tamanhos que variem de poucos centímetros a muitos metros.
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Tiragens sem restrição de quantidade, podendo fazer de uma impressão até quantas desejar.
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Durabilidade da impressão, pois de nada adianta uma linda impressão que desbote em pouco tempo.
Pois é… não é de se admirar que a tal “impressão perfeita” seja tão difícil de se obter, nossas exigências (que são justas) acabam eliminando todas as opções. A título de exemplo vou me ater somente aos sistemas mais comumente utilizados por fotógrafos e demais artistas que precisam dar saída aos seus arquivos digitais. Vejamos:
“Minilabs” fotográficos falham em quase todos os quesitos enumerados acima, possuem uma resolução razoável e não são restritos a tiragens grandes, mas falham em todo o resto. A baixa durabilidade das impressões (que desbotam depois de alguns anos), os papéis horrorosos, os desvios de cor e as limitações de tamanho impedem que essas impressões de minilab sejam consideradas para trabalhos sérios ou arte. Não se esqueçam dos maravilhosos e bem treinados operadores!
Lambdas e Lightjets são como os minilabs, mas um pouco melhores. Fazem impressões sensibilizando papéis fotográficos com lasers e revelando-os. A resolução é boa, os operadores são (em geral) melhores, os tamanhos de impressão são maiores, mas o resto é a mesma coisa. Pouca opção de papel e a durabilidade baixa de uma ampliação colorida fotoquímica (c-print).
Gráficas Offset podem ser a única opção se você precisa imprimir milhares de cópias, mas falham em quase todo o resto. A resolução é razoável/boa (no máximo), a gama de cores é muito pequena por conta das limitações do sistema offset CMYK e a fidelidade das cores acaba sendo comprometida por conta disso, existem opções de papel mas nenhuma é própria para arte. A durabilidade é baixa (desbotam em alguns anos) e só dá pra pensar em números de cópias múltiplos de mil.
Existem outros sistemas de impressão, mas esses listados acima sumarizam as opções que tínhamos até alguns anos atrás, ou devo dizer a “falta de opções”? Felizmente a tecnologia avançou e estamos alguns (muitos) passos mais próximos de beber do mítico cálice sagrado da impressão perfeita, pelo menos no sentido de algo que atenda aos quesitos enumerados no início do texto. O mais engraçado é que essa “nova” tecnologia é uma evolução derivada das impressoras jato de tinta, dessas como a que você deve ter em casa ou no escritório. Difícil de acreditar, né? Mas faz bastante sentido, vocês vão ver.
A alternativa:
O sistema de impressão por jato de tinta de alta definição e em grandes formatos tem sido chamado de “Giclée” justamente para evitar a confusão desse sistema com as impressoras domésticas. O princípio é o mesmo, a máquina ”espirra” tinta num papel, mas as semelhanças acabam aí. Esse sistema próprio para reprodução de fotografias e arte está em um patamar completamente diferente, em todos os aspectos. Vamos ver em relação aos quesitos propostos:
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Altíssima resolução. Equipamentos que trabalham em 1200 e 1440 DPI, o que é excelente e gera ganhos mesmo quando trabalhamos a 300 PPI.
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Uma gama de cores enorme, com cores profundas e vibrantes. O “Color Gamut” de algumas das impressoras Fine Art mais recentes é enorme, muito superior aos outros métodos.
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Fidelidade das cores com o original. Com a possibilidade de fazer o gerenciamento de cores da forma correta, do início ao fim, gerando perfis ICC para cada papel fica fácil garantir a fidelidade.
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Preto e Branco sem desvios de cor e com “cara de P&B”. Em alguns equipamentos e com o devido “know-how” é possível fazer impressões P&B que ficam tão boas quanto (e até melhores) que as fotoquímicas tradicionais. Sim eu sei que esse “até melhores” vai gerar muita indignação, mas eu insisto. Vejam para crer.
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Diversidade de papéis e outros substratos para impressão. Essa é a característica “matadora”, na minha opinião. Poder trabalhar com papéis de fibra de algodão com diversas gramaturas, texturas e alvuras, papéis de aquarela, tela (canvas), tecidos… São dezenas e dezenas de opções.
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Possibilidade de imprimir em tamanhos que variem de poucos centímetros a muitos metros. Algumas dessas impressoras possuem bocas de 1,12m e trabalham com mídias em rôlos, então praticamente tudo é possível.
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Tiragens sem restrição de quantidade, podendo fazer de uma impressão até quantas desejar. Uma, cinco, cinqüenta… e o mais importante: com a garantia de ter resultados idênticos mesmo imprimindo uma hoje e outra daqui a um ano.
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Durabilidade da impressão. Algumas combinações de papéis e tintas foram certificadas para permanência de mais de 200 anos (antes de apresentar os primeiros sinais de desbotamento) em centros de pesquisa independentes como o Wilhelm Imaging Research.
É claro que o futuro trará ainda mais inovações e que a tecnologia está sempre em evolução, mas já podemos dizer sem medo de errar que é possível dar saída aos arquivos digitais com uma qualidade nunca antes vista, tanto na aparência da impressão quanto nas características menos evidentes como a permanência.
A realidade:
Então é isso! Basta eu comprar uma impressora dessas e meus problemas estarão resolvidos?
Quem dera! Isso seria a mesma coisa que achar que bastaria montar um laboratório preto e branco no quarto de empregada para virar o novo Ansel Adams. A chave dessa questão é que tudo dito acima é possível, mas para acontecer requer muito esforço, investimento e, sobretudo, know-how. A tecnologia avançou e trouxe novas possibilidades, mas, como tudo na vida, existe um caminho a ser trilhado.
Essas impressoras são caras (embora existam versões semi-domésticas interessantes) e o investimento não acaba aí, apenas começa. Monitores apropriados, spectrofotômetros, computadores, softwares, iluminação adequada para inspeção, ambiente apropriado… e o gasto com papéis e tintas de alta qualidade (tudo importado, claro).
Como se isso não bastasse para afastar todos os amadores e a maioria dos profissionais ainda tem o ponto crucial: Adquirir o conhecimento teórico e prático para realizar essas impressões da forma correta leva tempo e custa caro. Embora alguns fotógrafos/artistas tenham decidido trilhar esse caminho, da mesma forma que muitos tinham seus laboratórios de filme, essa abordagem não é viável (ou desejável) para a imensa maioria das pessoas.
A salvação:
Aparentemente a morte dos laboratórios profissionais de ampliação manual abriu caminho para o surgimento de “laboratórios” de impressão Fine Art, que trabalham mais ou menos na mesma filosofia: Atendimento personalizado e focado na qualidade para artistas e profissionais com necessidades específicas. No exterior isso já não é novidade, mas no Brasil está começando a tomar vulto. Algumas redes de “minilabs” tentaram abraçar esse mercado, mas acabam atuando com a mesma filosofia focada na quantidade e não na qualidade, o que gera resultados inferiores. Para funcionar e valer a pena esse tipo de impressão tem que ser feita no equipamento certo, com os materiais certos, nas condições certas e sob a inspeção de quem sabe muito bem o que está fazendo. É um pouco de ciência, um pouco de técnica e um pouco de arte.
Vejo isso com um certo romantismo, um ressurgimento de artífices de impressão de certa forma similares aos mestres gravuristas dos séculos passados. Profissionais que conhecem detalhadamente seu ofício e o colocam a disposição de outros para que esses possam materializar e reproduzir suas obras da melhor forma possível.
É um novo tempo. É uma nova tecnologia que nos oferece um patamar de qualidade completamente novo, mas ao mesmo tempo faz ressurgir um ofício extremamente antigo.
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OBS1: Na continuação desse texto abordarei as questões práticas e como obter os melhores resultados nesse processo.
Por Geraldo Garcia, em 25 de janeiro de 2010
Quem me conhece pessoalmente sabe que não sou de poupar reclamações. Não me considero um “reclamão” pessimista, daqueles destrutivos, mas estou sempre pronto a apontar erros e falhas para incentivar a evolução e ajudar a melhorar as coisas que precisam. Uma das reclamações mais antigas no meu acervo é a escassez de boa literatura sobre fotografia no mercado brasileiro. Tínhamos pouquíssimos títulos nacionais e muito poucos títulos estrangeiros traduzidos. Esses últimos muitas vezes se tornavam inúteis por conta de traduções equivocadas. Quando amigos ou alunos me pediam indicações de livros eu já devolvia automaticamente a pergunta: “Você lê inglês?”
 Mas as coisas estão mudando e, como sempre critiquei e cobrei, me sinto na obrigação de parabenizar e dar os devidos créditos: Já faz algum tempo que a EditoraPhotos vem movimentando esse mercado e lançando excelentes títulos nacionais como o “Lightroom 2″ de Clicio Barroso e “O Controle da Cor” de Alex Villegas, entre outros. Os livros são ótimos, dignos de ficarem na minha prateleira de “acesso rápido” junto dos melhores títulos internacionais e seus autores dispensam apresentações e elogios.
Juntamente com esses títulos nacionais a Editora Photos também está disponibilizando edições traduzidas de muitos livros estrangeiros, o que faz sentido já que existem milhares de títulos interessantes publicados pelo mundo e inacessíveis a grande parte do público brasileiro. Mas confesso que meu ”trauma” com algumas traduções passadas e minha facilidade em ler em inglês mantiveram-me afastado desses títulos.
Entretanto, porum capricho do destino, chegou às minhas mãos um exemplar de “A Luz Perfeita, Guia deIluminação para fotógrafos” de Bill Hurter, um dos títulos estrangeiros que estão sendo disponibilizados. Fiquei muito bem impressionado com a versão brasileira: tradução competente e Impressão muito boa. O texto em si é menos técnico do que o título nos leva a crer (o que pode ser boa notícia para muitos) e é ricamente ilustrado com fotos de diversos fotógrafos e alguns esquemas de iluminação. A leitura é fácil e certamente será proveitosa para fotógrafos iniciantes e denível intermediário.
Sim, é uma tradução. Sim, nenhuma tradução consegue ser 100% fiel ao original e esta não é exceção. Até por isso acho mais apropriado o uso da expressão “versão brasileira” no lugar de “tradução” já que nem o título é uma tradução direta do original (The Best of Photographic Lighting: Techniques and Images for Digital Photographers). Mas o que importa é o resultado final, um livro interessante que antes não estava acessível ao público nacional e que agora está.
Parabéns à Editora Photos pela iniciativa e espero que outras sigam o exemplo.
NOTA: Após ter publicado esse texto recebi algumas mensagens reclamando especificamente da tradução do “Guia de Iluminação”. Parei tudo que estava fazendo e me coloquei a ler mais atentamente o livro e não demorou muito para eu perceber que os colegas tinham razão. Na minha primeira leitura superficial de alguns capítulos eu dei o azar de somente ler os trechos pouco problemáticos, lendo “direito” os equívocos da tradução começaram a aparecer em grande quantidade, lamentavelmente.
Entrei em contato com Sr. Josemar Martins, assessor de imprensa da Editora Photos e relatei o ocorrido. Ele foi extremamente atencioso e levou a questão adiante para a editora. A resposta oficial veio rapidamente dizendo que eles estão dando especial atenção ao caso, que o livro será revisado antes da nova publicação com o objetivo de resolver o problema do fluxo de informações e as falhas da tradução. Também disseram que vão readequar o fluxo de produção dos livros para evitar que esse tipo de problema aconteça.
Vamos torcer. Acho que a qualidade de outros produtos e a postura da editora faz com que eles sejam merecedores desse crédito.
Por Geraldo Garcia, em 10 de outubro de 2009
Esse termo “Fines Arts” é um daqueles que muita gente usa sem saber ao certo o porquê, apenas por achar “chique”, e isso acaba gerando uma baita confusão.
 Retrato de Retrato de D. João VI
 Schwarzes Quadrat
Originalmente o termo “Fines Arts” foi cunhado para diferenciar produções puramente artísticas de outras feitas com algum intuito (seja comercial, memorial, etc). Algo feito unicamente pelo seu valor estético e sem qualquer utilidade prática pode ser considerado “Fine Art”, enquanto que algo com uma função prática, não.
Por exemplo: um retrato de Dom João VI feito sob encomenda com o intuito de identificar e registrar a imagem do governante para o povo e para as gerações futuras não pode ser considerado como pertencente às “Fines Arts”, mesmo que tenha sido feito por um excelente pintor com a mais refinada técnica e o mais apurado senso estético.
Em contrapartida, um simples quadrado preto pintado em uma tela pode se adequar perfeitamente ao conceito, como a obra de Kasimir Malevich, pois o termo “Fines Arts” não tinha qualquer relação com o requinte da técnica, apenas designava obras feitas pelo simples impulso artístico.
Na fotografia, tanto contemporânea quanto no seu surgimento, o termo deve ser aplicado da mesma forma, referindo-se à fotografia feita puramente por impulso artístico e estético em oposição à fotografia feita com objetivo documental ou publicitário. Curiosamente uma análise das fotos publicadas nos “Flickrs” e afins nos leva a crer que a maioria das pessoas acha que, para uma fotografia ser “Fine Art”, ela precisa ter uma mulher nua numa floresta, lago ou pedreira.
 La Grotte
Isso, na verdade, é conseqüência do termo “Fine Art Nude” que surgiu para diferenciar fotos de nu comercial (estilo revista masculina) de fotos artísticas, onde o corpo nu é apenas um elemento estético. A imagem da “mulher nua na rocha” é antiga, muitos pintores renascentistas já pintavam essas cenas e fotógrafos mais recentes apenas “ecoam” essa estética que sempre fornece um interessante contraste de formas e tons e possui uma característica de atemporalidade. Mas a fotografia de “Fine Art Nude” não é apenas isso e, principalmente, a fotografia “Fine Art” não é apenas “Fine Art Nude”.
Mas vamos voltar no tempo para continuar falando sobre a origem e as aplicações do termo “Fine Art”.
 Par de Amantes
Ao atingir a área da impressão e das gravuras o termo ganhou uma nova conotação, ligeiramente diferente. Como muitos artistas não queriam se envolver no processo de reprodução por gravuras, por desinteresse ou por falta de tempo e recursos, mas desejavam que suas obras fossem reproduzidas, passaram a recorrer a “experts” nos processos de reprodução de arte por processos de xilogravura, encavo, litografia, etc. Esses “experts” diferenciavam-se dos demais profissionais de impressão por serem especializados na produção de obras de arte e não simples profissionais da impressão cotidiana (de livros, estamparias, etc). Possuíam domínio de suas técnicas, mas também a base artística e o olho clínico necessários para lidar com a reprodução da visão artística de outros. Esse foi o nascimento da impressão “Fine Art”.
No campo da ampliação fotográfica o termo voltou a ser usado nas últimas décadas do século passado para se diferenciar o trabalho de revelação e ampliação manual, feito por especialistas, dos processos automatizados dos laboratórios expressos.
Falarei mais sobre ampliação “Fine Art” e impressão “Fine Art” num próximo texto. Espero ter ajudado a esclarecer um pouco a confusão sobre esse assunto.
Abraços.
Por Geraldo Garcia, em 3 de setembro de 2009

Você usa ou gostaria de usar flashes portáteis fora da câmera? Quer aprender na prática com um dos melhores e mais experientes fotógrafos, que “descasca” diariamente seus flashes para produzir imagens fantásticas? Você está no Rio de Janeiro?
Se você respondeu sim para todas as perguntas, pare tudo que está fazendo e clique na imagem ao lado ou AQUI.
Uma oportunidade dessas não aparece todo dia. Aproveite para entrar no Site e no Blog do Renatão e ver as maravilhas que ele faz com seus flashinhos nas condições mais inóspitas que alguém poderia imaginar.
Eu vou aparecer por lá!
Abraços.
Por Geraldo Garcia, em 1 de julho de 2009

O “site” da 5a edição do Paraty em Foco já está no ar e as inscrições para os workshops e palestras já estão disponíveis.
Para quem não conhece, o Paraty em Foco é um festival internacional de fotografia que acontece anualmente na linda cidade histórica de Paraty, no litoral sul do estado do Rio de Janeiro. São dezenas de Workshops, Palestras, Cursos, Exposições, Projeções e várias outras atividades (algumas livres e outras pagas). A edição desse ano acontecerá entre os dias 23 e 27 de setembro e é melhor correr para se inscrever pois as melhores atividades são super concorridas (assim como as vagas nos hotéis).
Entre os vários workshops que acontecerão existem muitos excelentes com enfoque artístico e de linguagem, focados nas diversas áreas da fotografia. Mas, na parte técnica que é comum a todas as áreas, um se destaca e eu recomendo:
- Imersão Digital: Controle dos Caminhos Criativos da Captação a Impressão com Clicio Barroso, Paula Cinquetti, Marcos Issa, Alexandre Keese e René Lentino
Eu estarei por lá.
Abraços.
Por Geraldo Garcia, em 17 de junho de 2009
 Dell 2209WA
Atualização: Não deixe de ler as notas no final do artigo, principalmente a última.
Introdução: O nosso problema
Fotógrafo? Designer? Depende de fidelidade de cores no monitor? Mora no Brasil? Pobre coitado…
O mercado de monitores de alta qualidade no Brasil é uma piada (de mau gosto) muito parecida com a piada do mercado de equipamentos fotográficos em geral. Até existem opções de alta qualidade, mas os preços são absurdos. Experimente contar para um fotógrafo norte americano o quanto custa uma determinada câmera, objetiva ou monitor no Brasil. Depois que passar o choque do gringo mande-o sentar e conte o quanto um fotógrafo Brasileiro fatura, em média, num determinado serviço. Ele não vai acreditar (eu já fiz isso várias vezes).
Por conta de impostos e de atravessadores pagamos no Brasil, em média, duas vezes e meia o valor do mesmo produto nos EUA. Para piorar recebemos pelos nossos serviços, numa média grosseira, metade do valor pago nos EUA. Isso faz com que os profissionais Brasileiros tenham que cortar custos. Muitos trabalham com câmeras “semi-pro” ou amadoras e poucos podem se dar ao luxo de ter um monitor Eizo de R$20.000,00, por exemplo.
No caso específico dos monitores a nossa situação é até mais bizarra, pois ao contrário do que acontece no exterior, nosso mercado praticamente não tem meio-termo: Temos uma imensa maioria de monitores “baratos” e totalmente inadequados ao tratamento de imagem e uma pequena porção de monitores de alto desempenho absurdamente caros. Os poucos meio-termos existentes acabavam sendo substituídos por novas versões de menor qualidade e mais baratas por questões mercadológicas.
De forma muito resumida podemos dizer que os painéis LCD dos monitores são divididos em 3 tipos:
TN (Twisted Neumatic): Extremamente baratos, rápidos e com péssimo ângulo de visão e baixa fidelidade de cores. Inadequados para tratamento de imagem (95% dos monitores do mercado se enquadram nessa categoria).
VA (Vertically Aligned): Melhores que os TN em ângulo de visão e em fidelidade de cores, mais caros e um pouco mais lentos. Existem algumas das variações desse tipo (PVA, MVA, S-PVA) e alguns modelos conseguem exibir um “Gamut” de cores realmente grande.
IPS (In-Plane Switching): A melhor e mais cara tecnologia. Ângulos de visão excelentes, grande fidelidade das cores e um custo elevado. Os melhores monitores do mundo usam versões dessa tecnologia.
Mas parece que as coisas estão mudando.
Do início do ano para cá muito se tem falado de uma nova tecnologia de painéis LCD chamada “e-IPS” (Economy In-Plane Switching), uma variação do IPS que é mais econômica em tudo: No custo de produção e no consumo de energia. Alguns fabricantes foram rápidos em anunciar monitores com esses painéis e os baixos preços de lançamento “enganaram” a todos. Quem estava esperando uma versão “empobrecida” dos painéis IPS, com desempenho próximo dos TN, levou um belo susto. Essa nova tecnologia realmente jogou o preço para a casa dos TN, mas o desempenho continua digno dos painéis IPS, até melhor em alguns aspectos.
No Brasil o primeiro e-IPS a chegar foi o “Dell 2209WA”, um monitor de 22 polegadas que custa a bagatela de R$889,00 (com mais o valor do frete fica em torno de R$1.000,00).
O monitor e os testes:
Não vou perder muito tempo com especificações técnicas, todos os detalhes podem ser vistos na página (em português) do fabricante clicando aqui.
O ângulo de visão é realmente excelente. Impossível comparar com os monitores TN. Em comparação com os bons monitores S-PVA nota-se um ganho discreto, principalmente na variação vertical. Abaixo um exemplo do excelente ângulo de visão, não existe variação. A mínima variação que pude notar na foto é fruto dos reflexos de luz na superfície que não consegui evitar fotografando no escritório.
 Exemplo de ângulos de visão 2209WA
Para quem não está acostumado com essas dimensões, a tela do monitor (sem as bordas) mede 47,4cm x 29,8cm. Abaixo podemos vero o 2209WA (direita) ao lado do 2407WFP-HC (esquerda).
 2407WFP -HC (esquerda) e 2209WA (direita)
Mas o que mais nos interessa é a fidelidade de cor após o monitor ser calibrado. É evidente que quem faz questão de qualidade e fidelidade só pode pensar em trabalhar com um monitor calibrado e caracterizado por hardware específico. Até o melhor e mais caro monitor do mundo vai ter pouca fidelidade antes de ser calibrado.
O 2209WA respondeu muito bem à calibração e à caracterização (geração de perfil) feitas pelo EyeOne Display2. Alguns monitores são chatos de calibrar, basta uma mínima variação em qualquer ajuste para mudar todos os outros, mas o 2209WA não é assim.
 2209WA sendo caracterizado e validado
Depois de calibrado e caracterizado, executei o software “validador” para determinar o quão fiel é o 2209WA. O número mágico que procuramos é o chamado “DeltaE”, o índice de diferença entre as cores corretas e as cores exibidas pelo monitor. Quanto menor for o “DeltaE”, mais fiel é o monitor. Via de regra, os monitores para tratamento de imagem devem ter DeltaE menor que 2. Os realmente bons possuem DeltaE menor que 1.
DeltaE geral (média de todas as cores) do 2209WA: 0,46 !!!
Só para efeito de comparação, meu outro monitor, o 2407WFP-HC possui um DeltaE de 0,81 e eu acho excelente. Testes (de outras pessoas) relatam que o Apple Cinema Display de 30” (painel IPS) possui DeltaE de 0,68 e o Eizo Color Edge de 24” possui DeltaE de 0,59.
No quesito “Color Gamut” (paleta de cores), o 2209WA se sai bem. Seu “Gamut” é ligeiramente maior que o espaço de cores S-RGB, que é o alvo de 99% das saídas. Alguns monitores (principalmente os de painel S-PVA) possuem um “Gamut” maior, mas essa diferença não chega a ser notável na imensa maioria dos usos.
Os controles do 2209WA são simples e intuitivos e sua construção é muito boa. Como “brinde” ele ainda possui um HUB USB integrado com 4 portas.
Conclusão:
Enfim podemos dizer que existe uma opção de monitor de baixo custo e alta qualidade no Brasil. Existem outras opções tão boas quanto ou até melhores, mas nenhuma custa tão pouco. Hoje o campeão da relação custo/benefício no Brasil é o 2209WA, um monitor totalmente competente por um preço muito baixo.
Parece que a LG está preparando um 23” e-IPS. Resta saber se vai chegar ao Brasil e com que preço.
OBS:
Para não gerar muita expectativa e, logo em seguida, um banho de água fria, faço questão de ressaltar o grande “defeito” desse monitor (que não tem nada a ver com o monitor): A COMPRA.
O monitor é importado e pode demorar para chegar. O meu, que chegou rápido, levou 24 dias corridos. Sei de pessoas que esperaram mais de 40 dias, mas parece que agora está um pouco mais rápido.
Se você quiser comprar pelo site, tudo rola como esperado. Mas se você for como eu, que gosto de falar com o vendedor, e optar por comprar por telefone, prepare-se. Faça um chá, sente-se numa cadeira confortável e pegue um bom livro. O atendimento dos vendedores sempre foi ótimo (comigo), mas a espera para falar com um é ABSURDA: 46 min foi o tempo de espera da minha última ligação.
OBS 2:
Não tenho nenhuma dúvida de que monitores de alto desempenho como os da Eizo e da LaCie oferecem mais, inclusive acredito que possuam montagem e controle de qualidade mais rigorosos. Mas também, pelo que custam, é melhor que ofereçam tudo isso mesmo! Deveiam até ser entregues por beldades semi-nuas em uma caixa comestível de chocolate belga. Hehehe…
Os tais “R$20.000,00″ por um monitor Eizo que eu citei foram um chute bem descompromissado. Não sei exatamente quanto estão custando hoje, mas a uns 2 ou 3 anos cotei um de 24″ e era algo na casa dos R$16.000,00.
OBS 3:
Quem estiver migrando dos monitores CRT para um LCD (seja lá qual for) fique atento a duas coisas:
Apesar de muitos monitores LCD (inclusive o 2209WA) possuirem também conexão “VGA”, a melhor imagem é obtida por uma conexão com o computador por meio de cabo “DVI”. Confira se seu computador tem esse tipo de saída (a imensa maioria tem). O 2209WA já vem com cabos tanto VGA quanto DVI.
Monitores LCD devem sempre trabalhar na sua resolução nativa, que no caso do 2209WA é 1680×1050. Fora dessa resolução a imagem fica ruim.
Por hoje é só.
Abraços.
Nota de atualização (20/07/2009): A Dell parou temporariamente de vender este monitor. Dizem que não é definitivo, mas não informam quando volta. Curiosamente o 2408WFP que tinha baixado muito de preço voltou a subir quando o 2209WA foi retirado, então suspeito de questões de marketing.
Para piorar, sei de mais de uma pessoa que encomendou esse monitor (enquanto estavam vendendo) e que recebeu outro modelo. Agora estão esperando o monitor ser retirado para esperarem novamente pelo 2209WA. Como não estão comercializando-o nesse momento isso vai dar uma boa confusão.
Em resumo: O marketing da Dell fez uma tremenda lambança e o atendimento piorou a situação. Se o monitor voltar a ser vendido (espero que volte) tenham atenção e cuidado redobrado com a nomenclatura no ato da compra e confirmem o modelo de todas as maneiras possíveis com a Dell.
Nota de atualização (15/09/2009): Apesar desse monitor não constar no site, a Dell está vendendo pelo telefone. Cuidado com os enganos na nomenclatura.
Por Geraldo Garcia, em 30 de maio de 2009
 Daniela Bado
Só um “post” rápido para compartilhar o quanto é bom trabalhar no que se gosta e como as fotos rendem mais quando todos estão se divertindo.
A maioria dos maridos é encurralada por suas esposas com cobranças sobre roupa suja fora do cesto, pé da mesa que continua quebrado, contas, etc… Outro dia a Dani me perguntou (pela décima vez): “E aquelas fotos que você disse que faria?” Não tive escapatória… depois de um longo dia de trabalho (para ambos) fomos para o estúdio fazer as novas fotos de divulgação dela que eu estava devendo. Fotógrafo casado com atriz/modelo passa por essas coisas.
Apesar do cansaço (terminamos por volta de meia-noite) as fotos renderam maravilhosamente, tanto que tem sido difícil selecionar as “boas”. A última peneirada deixou umas 30 fotos (queríamos 5) e não conseguimos baixar esse número. Só posso creditar esse rendimento fora do padrão ao fato de estarmos nos divertindo absurdamente enquanto fazíamos as fotos.
Não podemos nos esquecer de curtir e experimentar enquanto fotografamos, mesmo quando estamos cansados (eu costumo cometer esse erro).
Abraços.
Por Geraldo Garcia, em 23 de maio de 2009
Veja nota esclarecendo no final do artigo “Como cobrar por serviços fotográficos (Parte IV)” .
Abraços.
Por Geraldo Garcia, em 20 de maio de 2009
Recentemente estava tendo uma conversa filosófica com alguns amigos (todos fãs de ficção científica) e estávamos rindo das “previsões do futuro” feitas no passado e debatendo onde elas acertaram e onde erraram.
Já estamos em 2009 e não temos colônias na Lua ou em Marte, ninguém anda em carros voadores, a terceira guerra mundial deixou de ser um fantasma nos assombrando. Em compensação os celulares cumprem perfeitamente o papel de “telecomunicadores” sem fio (até com videochamada). Os computadores estão cada vez mais potentes, mais baratos e menores. A medicina não encontrou a cura para todas as doenças, mas estamos no caminho para muitas e o genoma humano foi completamente mapeado.
Mas, uma coisa é fato: Todos os futurólogos do início do século passado falharam miseravelmente em prever a maior criação da virada dos séculos XX/XXI: a internet. Mas não sejamos cruéis com eles… Quem poderia imaginar, no início do século XX, que existiria uma rede mundial que seria, ao mesmo tempo, o repositório de todo o conhecimento da humanidade e o mais potente veículo de comunicação já inventado? E o melhor: Totalmente democrática! A Internet é feita por todos e não apenas por editores que escolhem o que vai ser publicado baseado nas suas opiniões e acordos comerciais.
Pois então… a Internet existe e está a sua disposição. USE-A!!! Nada substitui a prática e a interação direta com professores, claro, mas não existe base de pesquisa melhor que a internet. Até para descobrir os melhores livros, comprá-los e encontrar os melhores professores a Internet é a melhor opção.
Com isso em mente vou usar essa categoria “Internet a seu favor” para divulgar algumas preciosidades que existem pela rede. Essa é a Primeira:
Podcasts/Video-aulas de Lightroom do Clicio Barroso.
 Video-aula de Lightroom by Clicio
Quem fotografa, seja por profissão ou hobby, e não conhece o programa Adobe Lighroom, não sabe o que está perdendo. Hoje em dia 70% do meu trabalho não passa mais pelo Photoshop graças a ele.
O Clicio é a maior autoridade brasileira nesse software e (para nossa sorte) fotógrafo e professor (um dos melhores que já encontrei). Ele também começou a produzir podcasts em inglês, mais informações no Blog dele.
Fica aqui a dica. (Imperdível e de graça!)
Abraços.
Por Geraldo Garcia, em 18 de maio de 2009
Esta é a quarta e última parte desse texto, as partes anteriores podem ser encontradas pelos links a seguir:
“Introdução” , “Parte I” , “Parte II” , “Parte III” .
No capítulo anterior vimos como calcular o valor de realização de uma foto levando em conta os custos fixos, variáveis e a margem de lucro. Também vimos como calcular a depreciação dos equipamentos e como incluir isso nos custos.
Nessa parte veremos como calcular o valor de licenciamento de uma imagem e como repassar o valor dos impostos referentes a notas fiscais. Mas, antes disso, alguns conceitos devem ficar bem claros.
Quando cobrar o Valor de Licenciamento de uma imagem?
A resposta rápida é: Toda vez que a sua imagem for usada para gerar dinheiro para outra pessoa ou empresa.
Um fotógrafo de casamento não vai cobrar valor de licenciamento sobre suas imagens feitas para os noivos. Da mesma forma um fotógrafo não vai cobrar valor de licenciamento por um retrato feito para uso privado e pessoal. Entretanto, se o mesmo retrato estiver sendo feito para ser publicado em um editorial sobre aquela pessoa, a cobrança de um valor de licenciamento é correta, pois aquela foto vai ilustrar uma matéria que alavancará vendas de uma revista/jornal/etc. Veículos de comunicação possuem “matérias” e “artigos” para atrair o público. Quanto mais público, mais anunciantes e, obviamente, mais lucro. Se sua foto é parte disso, você tem que receber.
Em publicidade a relação é direta: Sua foto será o centro de uma peça publicitária que visa algum objetivo, geralmente aumento de vendas. Via de regra, quanto mais abrangente for a campanha, maior será a alavancagem de vendas e é correto que você receba proporcionalmente ao tamanho dessa alavancagem.
Isso significa que, quando fazemos fotos para uso privado/pessoal nossa única fonte de lucro será a margem adicionada ao “custo por hora” para formar o “Valor de Venda da Hora”. Nesses casos devemos caprichar na definição dessa margem para garantirmos um faturamento justo.
Quando fazemos fotos para veiculação (editorial ou publicitária), além do valor de realização receberemos também o valor de licenciamento, logo a margem de lucro sobre os custos por hora não precisa ser tão alta. Entretanto, não recomendo que se remova totalmente essa margem de lucro e se pense somente nos custos por hora e no valor do licenciamento. Geralmente os clientes “engolem” o Valor de Realização da Foto e pechincham sobre o valor de licenciamento. Se você já tiver uma margem de lucro embutida no Valor de Realização, melhor para você.
Afinal, QUANTO cobrar pelo licenciamento?
Essa é a pergunta de um milhão de dólares, mas (infelizmente) a resposta não é esse valor. Existem algumas formas de chegarmos a valores razoáveis, mas não existe um valor “certo” para cada caso.
Em publicidade a coisa é um pouco mais fácil, pois, como foi dito anteriormente, a relação monetária é mais evidente. Quando entramos em uso editorial é que a coisa complica, pois os valores não estão evidentes.
Licenciamento para publicidade:
Via de regra, cobre do cliente algo entre 15 e 25% do valor de tabela do espaço na mídia em questão.
Exemplo:
Um cliente lhe contrata para fazer uma foto para ser usada num anúncio de meia página interna na revista “Contigo”, de abrangência nacional, em uma única edição. O valor que ele vai pagar à revista pelo anúncio é: R$33.200,00 (somente à revista, fora o que pagará à agência de publicidade), logo você pode cobrar de valor de licenciamento algo entre R$4.980,00 e R$8.300,00 (mais o Valor de Realização da Foto e o Repasse de Impostos) para esse uso específico. Se no mês seguinte o cliente quiser usar novamente a sua foto repetindo o anúncio, ele deve pagar novamente o valor de licenciamento (mais os impostos). Nessa segunda inserção o valor de realização não é cobrado (a foto já estava pronta) e é de bom tom dar um descontinho em usos repetidos (uns 10% ou 20%).
 Orçamento com Valores de Realização e Licenciamento
Se a foto for usada em várias mídias o valor deve ser calculado para cada mídia. Obviamente o percentual cobrado pode (e deve) variar de caso a caso. Numa foto que será usada em apenas uma mídia em uma única inserção cobre alto (25%, por exemplo). Se for ser usada em muitas mídias com várias inserções por um longo período de tempo, cobre um percentual menor já que você estará ganhando em função do grande volume.
Licenciamento para uso editorial:
Aqui o cálculo é mais difícil já que sua foto não estará diretamente associada a um gasto/investimento monetário por parte do cliente (como no caso da publicidade). Existem diversas mídias com características distintas e muita diferença de uma região para outra.
Nossa única alternativa é sondar o mercado ou recorrer às tabelas de associações e, mesmo assim, praticamente todos os jornais e revistas pagam valores fixos e muito abaixo delas. Entretanto, podem ser ótimas referências para outros serviços como revistas corporativas, livros didáticos, etc.
Duas opções que valem a pena conhecer e ter nos favoritos do seu “Browser”:
Tabela da ARFOC (procure a de fotojornalismo).
Photo Showcase (cálculo automatizado).
OBS1: Use a tabela de “horas” da ARFOC como referência para comparar com o seu valor de realização calculado. Preste mais atenção aos adicionais enumerados abaixo da tabela.
OBS2: O cálculo do “Photo Showcase” é bem razoável na parte editorial, mas na publicidade é extremamente benevolente. Nesse caso é melhor ficar com as porcentagens dos valores de publicação.
Valor de repasse de impostos:
Como disse na “Parte I” do texto, isso nem deveria ser considerado como um dos elementos de composição do preço, pois é apenas um repasse automático. Entretanto, já encontrei tantos fotógrafos que não sabem que devem efetuar esse repasse e como calculá-lo que resolvi explicar rapidamente.
O que acontece é o seguinte: Você calcula seu preço com base nos seus custos, mas na hora de emitir a nota fiscal surge um custo extra que não tinha como ser calculado antes porque você desconhecia os totais. Não tem escapatória, os impostos que incidem sobre a nota só podem ser calculados no final e DEVEM ser repassados.
Até aqui tudo bem, mas muitos tropeçam no cálculo. Pensam assim: “O subtotal do serviço (Valor de Realização + Valor de Licenciamento) deu R$2.000,00, minha nota gera 10% de imposto, logo o total dá R$2.200,00.”
ERRADO! Nesse caso, ao lançar R$2.200,00 na nota, o imposto gerado será de R$220,00 e, conseqüentemente, você receberá R$1.980,00.
A forma correta de calcular é:
1) Pegar a alíquota do imposto e subtrair de 100% (Ex: 100% - 10% = 90%)
2) Transforme o valor resultante de percentual para decimal (Ex: 90% = 0,9)
3) Divida o subtotal do serviço (Valor de Realização + Valor de Licenciamento) por esse resultante decimal
(Ex: R$2.000,00 ÷ 0,9 = R$2.222,22)
Esse é o valor final que deve ser lançado, pois quando descontado de 10% deixará exatos R$2.000,00.
Com o valor dos impostos calculado corretamente, o preço final do serviço já está determinado:
 Orçamento Completo
É claro que existem vários tipos de empresa, com vários tipos de nota e impostos e alíquotas diferentes, você deve calcular com base no seu caso. Muitos fotógrafos “compram” notas de amigos/parceiros que cobram um percentual para cobrir os impostos e ter algum lucro, nesse caso jogue na planilha esse percentual. Essa prática não é exatamente legal, mas é comum.
Entendendo melhor e repensando sua postura:
Não é difícil encontrar fotógrafos que têm resistência aos altos valores apresentados no cálculo da publicidade, o que é bizarro. Seria isso uma síndrome de auto-menosprezo coletiva? Esses se justificam dizendo: ”Nunca vão pagar R$6.000,00 de licenciamento por uma foto para uma única inserção de um anúncio de meia página na “Contigo!”
Minha resposta é: Para você, que pensa desse jeito sobre o seu próprio trabalho, não vão mesmo!
Parafraseando o texto do Alessandro Dias: PARE DE AGIR COMO PEDINTE!!!
Os caras vão (nesse exemplo) pagar R$33.200,00 para a revista publicar o anúncio. Somando o licenciamento das eventuais modelos (as agências de modelo não são bobas como muitos fotógrafos) e o valor da agência de publicidade, essa conta passa FÁCIL de R$45.000,00. Sua foto será o coração desse anúncio… você acha R$6.000,00 ou R$10.000,00 pouco? Você vai engolir a desculpinha de que eles “estão sem dinheiro”, ou que “o cliente é mão-de-vaca”?
Todo mundo vai, sempre, tentar empurrar o seu valor para baixo. Você vai fazer o mesmo? Se o cliente não tem dinheiro para fazer meia página que faça um terço de página!
Lembre-se que em todos esses cálculos não estão embutidos alguns problemas sérios:
1) Custo Brasil: Você emite a nota nesse mês e recolhe o imposto nesse mês, entretanto a agência de publicidade vai te pagar faturando em 30 dias, ou em 3x, por exemplo.
2) Atrasos: Não conheço um fotógrafo que trabalhe com publicidade que nunca tenha tido um pagamento MUITO atrasado (seis meses até).
3) Calotes: Outra coisa que acontece mais do que as pessoas imaginam. De político em campanha então…
Por essas e outras é que você só deve trabalhar com contrato especificando o uso, os prazos, os valores, etc. É verdade que alguns clientes parecem se assustar quando pedimos detalhes do uso da imagem para fazer o orçamento e mencionamos o contrato, alguns simplesmente somem, mas esses clientes são os clientes que você NÃO QUER. Pode ter certeza de que esses são os que estavam “procurando um otário”.
Mesmo com todos esses problemas muitos leitores podem ficar com a impressão errada de que o mercado publicitário é uma maravilha, onde o faturamento é fácil. Não poderiam estar mais enganados.
É ilusão achar que um fotógrafo novato nesse mercado, com pouca estrutura, vai pegar trabalhos de alto orçamento (= alta responsabilidade) com freqüência. Coloque-se no lugar do cliente que está gastando cinqüenta, oitenta, cem mil Reais num anúncio (revista+modelo+fotógrafo+agência+etc.)… o quanto você iria cobrar, chatear e exigir dos seus contratados?
Pra piorar tem a política e as “panelas”. Muito serviço só é passado para os fotógrafos que voltam uma fatia de dinheiro (por debaixo dos panos) para a agência, um “BV” deturpado. (O verdadeiro Bônus por Volume é pago às agências pelos meios de comunicação baseado no volume de clientes que elas levam, não tem nada a ver com prestadores de serviço.)
Fora isso tem sempre o “sumiço dos clientes”. Algumas épocas o seu telefone para de tocar… não entra serviço, as contas não param de chegar e o equipamento não para e depreciar. A maioria dos fotógrafos publicitários que conheço (eu inclusive) passa, em média, três meses do ano com faturamento negativo. Tem que ter a cabeça no lugar para agüentar.
Últimas dicas:
Muitos perguntam: “Mas como eu descubro o valor de um espaço na mídia para poder orçar um licenciamento, um anúncio de revista, por exemplo?”
De duas formas ridiculamente simples: Internet e Telefone!!!
A imensa maioria das revistas e jornais possui tabelas de valores de anúncios em seus sites, muitas empresas de outdoor também. Se não tiver, ligue e pergunte. Eles não mordem!
Alguns exemplos
Revistas (tabelas para uma inserção de anúncio):
Veja: http://veja.abril.com.br/idade/publiabril/midiakit/precos_revistas.shtml
Playboy: http://www.publiabril.com.br/homes.php?MARCA=36
Caras: http://www.caras.com.br/anuncie/revista/tabela.html
Época: http://editoraglobo.globo.com/publiedglobo_revistas_EP.htm
Contigo: http://www.midiakitcontigo.com.br/prazosprecos.html
Outdoors (valores por uma bi-semana)
Adver (RJ): http://www.adver.com.br/precos.asp
Rio Midia: http://www.riooutdoor.com.br/
Planilha
Para baixar o arquivo compactado (.zip) da planilha Excel com automatização de todos os cálculos possíveis, clique aqui .
Essa planilha tem algumas células travadas para que não se altere as fórmulas acidentalmente. Entretanto não está protegido com senha, basta mandar desproteger que tudo ficará liberado. As células onde devemos preencher os dados não estão travadas, logo não é necessário desproteger a planilha para usá-la, apenas apague os valores de exemplo e preencha com os seus.
O Download da planilha está temporariamente suspenso pois o Sr. Salviano Alves Benício Jr está reclamando a autoria da referida planilha. É fato que o Sr. Salviano foi a primeira pessoa a disponibilizar uma planilha para cálculo de custos para download, planilha essa que muito usei mas parei de usar pois não se adequava totalmente a minha forma de calcular e o autor proibia modificações (a planilha era, inclusive, bloqueada por senha). Posteriormente outras planilhas surgiram, com modificações maiores ou menores. Essa planilha que disponibilizei é a alteração da alteração da alteração de uma planilha que recebi de outra pessoa, liberada para uso e modificação. Ao que parece essa pessoa copiou e modificou a planilha do Sr. Salviano e agora ele está reclamando a autoria da minha versão da versão da versão da versão de uma suposta cópia da planilha de custos criada por ele que já circulou a internet e foi modificada diversas vezes, inclusive com adição de conteúdo.
Infelizmente o Sr. Salviano indicou que prefere a retirada da planilha de circulação, prejudicando a difusão do conhecimento, do que a inclusão de seus créditos.
Tudo bem. Como sou totalmente militante da defesa dos direitos de propriedade intelectual e reconheço claras similaridades em algumas partes de ambas planilhas, suspendi por tempo indeterminado o download da planilha. Por enquanto, quem quiser a planilha escreva para o Sr. Salviano e solicite a dele que, infelizmente, não inclui algumas partes presentes na que disponibilizei.
Até resolvermos essa questão (se resolvermos) o download estará suspenso. Espero que ele escreva algum comentário abaixo fornecendo o link ou alguma outra forma de usuários interessados fazerem download da sua planilha original (ainda que “diferente”). Aliás, se ele desejar, pode incluir as minhas adições na planilha dele e distribuir livremente, não quero nem crédito. Faço o que faço com o único intuito de educar e melhorar o mercado.
Bom… demorou mas acabou.
Comentem, perguntem e, principalmente, divulguem. Todos só temos a ganhar com um mercado mais sólido e mais educado.
Abraços.
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